BREVE HISTÓRIA DO RETRATO NA ARTE
Inicialmente, devemos convidá-lo a fazer uma reflexão óbvia mas que milhões de pessoas no mundo nunca a fazem: que ver o nosso próprio rosto, termos uma abundância de imagens nossas registradas nas mais variadas situações, em fotos, em vídeos e quase tão imediatamente ao serem clicadas através de smartphones, tablets, e câmeras de todo o tipo, praticamente de graça, o que não ocorria até a pouco tempo com a compra de filmes e reveção de fotos através de câmaras analógicas.
Toda essa facilidade é praticamente um luxo democraticamente, no sentido de popularmente, acessível, somente no século XX, já que estamos a pouquíssimos anos imersos no século XXI. A fotografia inventada em pouco antes dos meados de século XIX, e o cimema ao final do mesmo século, foram recursos de registro de imagens bastante recentes.
Da chamada e imaginada pré-história, registro de situações comuns se davam por desenhos e tempos depois por pequenas imagem modelas em argilas. Quando nossos antepassados dominaram a escultura em rochas, figuras imaginárias, mitológicas para nós e líderes célebres, tiveram suas imagens não tão realistas mas bastante econômicas nos detalhes, em madeira, pedra e finalmente em metais como bronze e ferro. O auge do retrato foi, sem dúvida, pelo pretendido realismo em esculturas, um tipo de retrato em três dimensões. O desenho e a pintura, não acompanhavam no mesmo nível o realismo das esculturas.
Porém antes da própria fotografia, que herdara vagarosamente o olhar e a percepção tanto do desenho como da pintura, o próprio desenho e a própria pintura desenvolver um nivel de detalhes e exatidão realista. Logo, enquadramentos, como fotografar uma paisagem, objetos, e pessoas vêm de uma tradição determinada pela pintura que herdou das esculturas uma certa teatralidade, como posicionar a pessoa retratada como se ela estivesse permanente viva.
Por que nos retatramos, retratamos as outras pessoas e nos deixamos retratar?
Primeiramente, já que mencionamos a popularização ou a democratizção das iamgens, fotografadas e animadas como nos vídeo, ter um retrato de si mesmo, foi durante milênios, com as técnicas e artistas disponíveis, um verdadeiro privilégio de reis, sacerdotes religiosos, militares como grandes generais e pessoas bastante notáveis em seu tempo, ou por uma riqueza ou por um poder.
A Mona Lisa, ou a Senhora Lisa, foi um retrato encomendado pelo seu rico e poderoso marido, um importante comerciante de Veneza a sua jovem esposa, à época com quinze ou deessete anos. Um retrato encomendado a um dos dois maiores gênios artísticos de sua época, há mais de quinhentos anos, Leonardo da Vinci. Leonardo, ocupado com incontáveis projetos, junto com a genialidade não tinha muita organização. Gastou quatro longos anos para terminar o retrato. Claro que o comprador e a sua esposa jamis viram o retrato pronto, pois com raiva o marido desistiu do presente a sua amada esposa. Foi um presente tão precioso, um verdadeiro privilégio dificilmente igualado a não ser por um grupo seleto de ricos e poderosos, como bispos, cardeais, papas e todo tipo de pessoas realmente poderosas.
O objetivo inconsciente, alcançado pelas possibilidades de cada época era o mesmo dos dias de hoje: o fato de sabermos que morremos, uma maneira prática, objetiva de eternizar a memória, o poder, as realizações e talvez a melhor fase de suas próprias vidas. Quando tiramos incotáveis fotos em incontáveis situações e as publicamos em redes sociais hoje, estamos gritando as outras pessoas: "estamos aqui!", "vivi nesse mundo um dia!"
Comparadamente, embora a nossa tecnologia e facilidade que temos hoje, a rapidez com que conseguimos uma imagem tanto nossas como de outras pessoas, não muda as razões pelas quais agimos assim. A nossa tecnologia embora seja melhor em termos de realismo pode desaparecer por um simples colapso tecnológico, e não restar nada para uqe alguém futuramente veja. Quanatos de nós perdemos fotos, por estravio, degradação como mofo, manchas, deteriorização do papel ou do filme, mesmo por defeito em algum Hd, Ssd, pen drive, etc? As imagens de nossos antepassados como o retrato da Mona Lisa e de muitos outros personagens, guardados em museus estão intactos há séculos.
A segunda importância do retrato humano, da prática em fazê-lo ou em observá-los mais atentamente se encontra no fato de reconhecermos em detalhes, diferenças sutis bem como semelhanças sutis no rosto de incontáveis pessoas. Passamos toda a nossa vida, tal quai nossos antepassados, vendo, observando as outras pessoas. Percebemos mais coisas nos outros do que em nós mesmos. A maioria de nós, execetuando artistas especializados em retratos, não consegue descrever com palavras, como em um retrato falado, e muito menos produzirmos um autoretrato de nós mesmos.
Uma questão a ser lembrada: nos conhecemos mesmo com tantos recursos disponíveis hoje? Gostamos de quem fisicamente somos? Recentemente um aluno confessou que não gosta de si mesmo, no que se refere a aparência. Pergutei-lhe o porquê, ele preferiu não dizer. Trata-se dos incontáveis casos, bastante humanos, embora de um prejuízo enorme, de pessoas que por não conhecerem a si mesmas, não aceitam a singualidade de sua aparência, não comprendem a sua múltipla ancestralidade. É exatamente por isso que nos debruçamos sobre esse tema, usando-o como meio de superação desse tipo de problema.
Hoje, também por razões óbvias, o número de cirurgias de todo tipo, desde simples harmonizações faciais a outras mais invasivas como a retirada de um a dois pares de costelas, medicamentos para aumento de múculos, clareamento de pele, implantes capilares, ronoplastias desnecessárias, etc, têm na imensa maioria dos casos um esforço desnecesário e pouco justificável de alterar a própria aparência, por simplesmente não gostar dela ou não a conhecer em detalhes para naturalmente aceitá-la. Nesse percurso, não poucos jovens adultos têm perdido as suas vidas ainda com prognósticos de muito mais anos a serem ainda vividos e com saúde. Iludidos pela mídia, convencidos pela pressão estética social, têm pagos por uma morte totalmente desnecessária e evitável. Afinal, o que importa acima de qualquer outra coisa é a própria vida, em último lugar pode vir o caso de uma correção estética sem risco e comprensívelmente aceita.
Logo, na história humana, o desejo inconsciente de se perpetuar, ou pelo menos perpetuar a sua memória e apreensão, a compreensão do que somos na nossa aparênncia singular, como indivíduos, que diferente das outras milhares de espéceis no planeta, onde animais, aves, insetos de uma espécie são todos bastante parecidos, nós seres humanos somos ao mesmo tempo iguais em detalhes e diferentes em outros poucos detalhes. O não reconhecimento desse fato dá origem a imaginárias justificativas, muitas vezes insanas que separam grupos humanos de grupos humanos, geram pesudojustfucadas intolerâncias, baseadas em diferenças relativas. Agrupar seres humanos em tipos por características eleitas tendenciosamente é o mesmo que separar grupos "diferentes" entre si. Esse tem sido um erro crasso e recorrente em diferentes épocas, lugares, sob argumentos que não sobreviveriam a uma análise mais séria.
Por Helvécio S. Pereira
Graduado em Desenho e Plástica pela EBA/UFMG
Grauado em Pedagogia pela FAE/ UEMG
Pós graduado em Linguítica pela IPMIG




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